terça-feira, 16 de outubro de 2012

Levanta-te e anda?




Admito. Já sonhei muito com o meu filho andando. Em meus pensamentos já o vi de pé, de tênis bem cravado no chão. Sem qualquer dificuldade, sem sua magreza que é estranha para quem não está acostumado, sem falta de equilíbrio... Bonzinho como diria minha avó. Já fui a igreja não por me sentir bem, nem pela palavra de Deus, mas pura e simplesmente esperando ver meu filho levantar da cadeira de rodas e nunca mais depender dela. Confesso que esses sonhos em nada me ajudaram. Se minha fé é pequena, tenho certeza que não. Pode até não ser grande o suficiente para alcançar a "cura" do meu filho mas é o bastante para acordar disposta para mais um dia. Para sorrir mesmo quando as situações me fazem chorar e para acreditar ainda que nada tenha sentido.

Eu, Antônia, confesso que não tenho mais esse sonho, pois ele foi substituído por um de maior grandeza. Hoje, desejo ver meu filho sorrir sem sentir dor. Vê-lo sorrir apesar das inúmeras dificuldades que enfrenta é uma realização. Ele não consegue fingir... E é por essa sinceridade estampada em seu rosto que não vou submetê-lo a ansiedade de que ele caminhe, pois sei o quanto isso é difícil, aliás, isso para a realidade do meu filho é QUASE impossível. Digo quase porque não acredito no impossível.

Talvez daqui há alguns anos depois de adquirir mais maturidade, com minha ajuda e a de muitos profissionais, ele possa dar seus passos mas isso não é prioridade porque não acredito que a solução para a felicidade do homem esteja em sua condição física e intelectual.

Meu apelo nesse sentido é quanto ao cuidado na abordagem que tantas pessoas de "boa fé" fazem a quem está acompanhando uma criança com deficiência. Sinceramente chega a ser ridículo a forma como as pessoas se aproximam quase nos obrigando a segui-las imediatamente até a igreja em busca de "cura certa". Questionando sua fé, seu conhecimento, seu amor por Deus e até mesmo sua vontade. Deus nos dá o livre arbítrio mas o homem parece desconhecer totalmente o significado dessa palavra...

Queria que essas pessoas tivessem capacidade de ouvir para poder dizer-lhes: Queridos, não me convidem a aceitar sua religião e a frequentar seu templo com a promessa de uma cura que nem mesmo estou buscando. Existem coisas tão importantes como essa a se fazer na casa de Deus. O homem não conhece meu coração, mas o Senhor sim e Ele sabe o quanto eu anseio por uma igreja onde meu filho Lucas possa CONHECER e ACEITAR a Jesus. Onde seja incluído e se sinta parte, onde a minha família possa ter comunhão com os irmãos.  

Sei que quem deveria não irá ler, pois a maioria das abordagens foram feitas por pessoas que aparentavam não ter muita instrução. Mas fica o desabafo de uma mãe que não é de ferro e nem de massinha de modelar.
Comentários
2 Comentários

2 comentários:

A minha filha Vitória Milena é especial disse...

Querida Antônia Yamashita, faço das tuas palavras a minha, pois só quem tem uma criança especial como nós é que sabe, fácil é nos julgar, mas ninguém vive o que nós vivemos.
Ha pessoas que dentro da igreja são "Santas",mas longe dela, tomam atitudes terriveis ;porém, Deus vê todos os lugares ,não é necessário ter mascara perto dEle .Por que Jesus fez tantos milagres e prodígios para os fariseus e eles não se converteram?Porque eles estavam mascarados.
Padre Léo.
Simone Duarte

FRAN NATURA disse...

Querida Antonia Já chegaram a me dizer que meu filho não andava porque minha fé era pequena;ai é que eu choro pois além das dificuldade que tenho com meu filho,sem pai ,sem vó.sem vô...somente eu as vezes me sinto insuficiente para o anjo de minha vida(somos apenas nós 2 na vida)